Desfechos de saúde bucal em populações que vivem em assentamentos urbanos informais, rurais e de refugiados: uma revisão sistemática e meta-análise
DOI:
https://doi.org/10.4322/bds.2026.e5052Resumo
Objetivo: Avaliar os desfechos de saúde bucal em populações que vivem em assentamentos urbanos informais, rurais e de refugiados. Métodos: Esta revisão sistemática foi conduzida em conformidade com as diretrizes de relato PRISMA 2020 e seguiu as orientações metodológicas do Joanna Briggs Institute (JBI). Buscas eletrônicas foram realizadas nas bases PubMed, Web of Science, Embase, LILACS, Scopus e PsycINFO até 12 de outubro de 2024. Estudos observacionais que avaliaram desfechos de saúde bucal em indivíduos residentes em assentamentos socialmente vulneráveis foram considerados elegíveis para inclusão. A seleção dos estudos e a avaliação do risco de viés foram realizadas de forma independente, utilizando a lista de verificação crítica do JBI para estudos transversais analíticos. Os dados foram sintetizados de forma narrativa. Quando identificada homogeneidade metodológica, meta-análises de desfechos dicotômicos foram conduzidas por meio de modelo de efeitos aleatórios. Estimativas de prevalência combinadas com intervalos de confiança de 95% (IC 95%) foram calculadas, e a heterogeneidade estatística foi avaliada por meio da estatística I2 . Resultados: A busca identificou 1.204 registros, dos quais nove estudos atenderam aos critérios de inclusão. Os estudos incluídos foram conduzidos na África do Sul, Índia, Israel, Grécia e Brasil, envolvendo principalmente crianças, adolescentes e adultos que vivem em contextos de assentamentos socialmente vulneráveis. Os principais desfechos de saúde bucal avaliados foram cárie dentária, condições periodontais, dor dentária e autopercepção da saúde bucal. A meta-análise demonstrou que 84,46% (IC 95%: 75,09-91,93; I2 = 85,15%) dos participantes apresentaram experiência de cárie dentária, 44,74% (IC 95%: 38,84-50,72; I2 = 69,26%) relataram dor dentária e 62,81% (IC 95%: 41,44-81,84; I2 = 97,62%) relataram autopercepção negativa da saúde bucal. Conclusão: Populações que vivem em assentamentos socialmente vulneráveis apresentam elevada ocorrência de cárie dentária, dor dentária e autopercepção negativa da saúde bucal. Vulnerabilidades estruturais e barreiras de acesso aos serviços de saúde bucal possivelmente contribuem para esses desfechos desfavoráveis. São necessários estudos longitudinais bem delineados, utilizando critérios diagnósticos padronizados, para fortalecer a base de evidências nesta área.
PALAVRAS-CHAVE
Assentamentos humanos; Determinantes sociais da saúde; Levantamentos de saúde bucal; Revisão sistemática; Saúde bucal
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